sábado, 15 de setembro de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Espera
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Lisy
É hoje! Ao acordar, penso na volta de Carolina. Na minha amada e doce namorada. Pego o anel de noivado que está em cima da escrivaninha e coloco no bolso. Ela com certeza gostará da surpresa.
É hoje! Decidi há uma semana que preciso viajar, tirar minha mente do Pedro. Não é fácil se separar de alguém que trilhou parte do seu caminho. Venho perdendo batalhas diárias no propósito de superá-lo. Passo de carro na frente do novo apartamento dele, mesmo com a minha mente me acusando de traição. As fotos dele estão por todo lado, ainda durmo com a camiseta que ele me deu… Só pode ser masoquismo.
Chego ao aeroporto, o taxista me ajuda a descer as malas. Estou atrasada, corro pra pegar a fila do check in. No meio do caminho, esbarro em alguém e minha bolsa cai no chão, esparramando o conteúdo: óculos, maquiagem, documentos…
Carolina não desembarcou. Esperei ansiosamente para que ela surgisse em meio àqueles que retornavam aos seus amados. Mas não consegui ver nenhuma mecha loira que pertencesse a ela. Não estava na lista de passageiros. Ela poderia ter perdido o vôo, é comum para alguém tão distraída. Apesar disso, fica difícil me conformar.
Recebo uma mensagem, é dela. Me diz que nunca voltará, que encontrou um lugar e um novo amor. Assim, rápido e cortante. Fico imóvel, incapaz de mover um músculo sequer. Somente os olhos piscam, tentam se livrar das lágrimas apressadas. O estojo no bolso parece pesar uma tonelada.
Uma hora depois ainda estou no mesmo lugar. Já não há mais choro, apenas o vazio. Sei da necessidade de continuar a vida e é isso que, finalmente, me leva a sair deste estado de inércia. Estou passando pelas portas.
Alguém esbarra em mim. Uma mulher com cabelos pretos presos e um óculos escuro.
- Perdão, moça, não a vi.
- Eu percebi - diz a moça, recolhendo seus pertences. Ajudo com algo, minha mente longe dali.
Seu passaporte está aberto, a uns poucos metros. Me levanto e vou pegá-lo. Vejo seu nome.
- Seu nome…
- Algum problema com o nome "Carolina"?
- Não, nenhum - respondo, hipnotizado.
- Ok, obrigada, adeus.
Sina, destino, alguns crentes podem até dizer que são os astros. Vejo a linda moça partir, mas um calor bom passou pelo meu peito rapidamente. Adeus, Carolina!
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Agradecimentos:
À equipe do Nestante, pelo convite e pelo apoio.
Ao meu amigo Isaque Rodrigues, por acreditar em mim e nos meus textos.
À minha amiga Andréia Andrade, por oferecer material de pesquisa.
À todos os leitores que acompanharam os relatos destes dois personagens. Obrigada!
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Lisy Muncinelli é:
“Jornalista de alma, fotógrafa em aprendizagem.
Escritora por vocação.”
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**Lisy é convidada para a segunda temporada de CONTO 4 CONTO.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
A amiga folgada e o vestido cor-de-rosa
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Diego
Anita e Paloma são amigas de infância. Paloma desde o início da amizade é a folgada da história. Sempre pegou CDs, roupas, livros da Anita e nunca devolveu. Todos os dias a folgada vai à casa da amiga e não vai embora sem levar algo. O cômodo da casa da Anita que a Paloma mais gosta é o quarto da amiga quando entra lá revira tudo, abre o guarda-roupa, olha as roupas, os sapatos, as bolsas, maquiagem... Anita nunca demonstrou raiva, mas por dentro reprova esses atos da amiga folgada.
Num certo dia a Anita recebeu um convite para ir ao aniversário de uma colega de faculdade, neste mesmo dia a Paloma resolveu passar o dia com ela. A hora do aniversário se aproximava e nada da folgada ir embora. Para completar a Paloma pediu pra a amiga ligar para a aniversariante e perguntar se poderia levá-la à festa. Anita fez o que a amiga pediu e a resposta da aniversariante foi sim. Mas a Paloma não estava com roupa adequada para ao aniversário, logo um modelito emprestado à amiga, até aí tudo bem. O pior foi que ela escolheu o vestido cor-de-rosa que a Anita havia separado para vestir.
Paloma – Já escolhi a roupa. Vou com esse!
Anita – Esse não!
Paloma – Por que não?
Anita – Porque esse eu vou usar.
Paloma – Mas amiga ele não combina com você.
Anita – An?
Paloma – Rosa não combina com você e esse modelo de vestido é desproporcional para o seu corpo. Pronto falei.
Anita - :O
Depois de insistir muito a folgada conseguiu convencer a amiga a não usar o vestido rosa e ela quem usou. E até hoje ainda não devolveu. Isso já aconteceu com você?
**Durante esse mês, todas as sextas eu estarei compartilhando com vocês alguns casos inusitados e engraçados baseados em fatos sobre amigos folgados. Serão três histórias em que você, leitor do nestante poderá apresentar soluções para ajudar os amigos a se livrarem desses folgados. Aguardo a sua participação e vamos rir juntos afinal, o que não pode faltar numa amizade mesmo sendo folgada é o humor.**
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Diego Sansi, dezenove anos, adventista do sétimo dia, compositor, designer, estudante de publicidade e propaganda. Um cara pensador, discreto, crítico e indireto. Apaixonado por fotografias “encontro na fotografia a forma mais simples de me expressar”. Usuário assíduo das redes sociais, possui: facebook , twitter e tumblr
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Desconexo
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Não sei para quem redijo esta carta. Com certeza não será pra você, Pedro. Não me sinto mais a vontade para partilhar o que se passa dentro de mim. Talvez ficará inacabada, talvez será esquecida no fundo da gaveta, o que sei é que preciso colocar meus pensamentos em palavras, vírgulas e pontos.
Meus dias tem sido escuros, assombrados pelas lembranças. Me sinto desconexa, não sinto mais o fio que me ligava a você. O que sobra é me reinventar, desviar do caminho que estava percorrendo, remanejar. Vou lá fora respirar ar puro, andar um pouco, ver o que o mundo percorreu enquanto eu estava me preocupando contigo. Talvez eu encontre cor nas azaléias, canto nos pássaros e sonhos pelo caminho. Mas vou me livrar do fantasma da nossa relação.
Ah se vou!
Ass. Carolina
Faz cinco meses que você partiu, Carolina. Cinco é o número de cartas que eu te enviei; recebi apenas duas, monossilábicas. Não sei se é a falta de tempo ou a falta de interesse que te impede de escrever mais. Prefiro ficar na ignorância.
Semana que vem você chega. Meu coração bate no ritmo do samba, aquele de raiz, criado na roda miúda pelos experientes moços de cabelos brancos. Velhice essa que possivelmente nunca chegaremos a experimentar, meu coração quase anseia por um romance shakespeariano. Você já reclamou comigo várias vezes por causa desse meu anseio dramático. Acredito que seja apenas reação ao meu imenso apreço pela arte.
Me fiz desconexo, sem querer. Perdão.
Epílogo: O que importa é ver seu rosto tão belo, não mais apenas em meus sonhos…
Ass. Pedro
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
Breguices e Carinhos
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Lisy
O que será que foi, Pedro? Não sei o que mais me atrai em você. Será os olhos, escuros e profundos, que ainda guardam o brilho da juventude? Talvez seja o jeito como movimenta as mãos enquanto fala, rápido e empolgado, acompanhando o fluxo do pensamento. A maneira como você arruma o cabelo sempre do mesmo jeito nos últimos dez anos? Pode ter sido a quantidade e qualidade absurda de assuntos abordados em uma única conversa. Ou o seu caminhar, lento e despreocupado, que contradiz com a velocidade do mundo moderno.
Não sei o que me fez apaixonar por você. Você pegava na minha mão e me levava pra comer um cachorro-quente. Reclamávamos da falta de dinheiro e você me prometia que isso mudaria. Apostávamos quem conseguia fazer mais cócegas no outro. Eu dirigia seu carro e ria da sua cara de preocupado.Susurros no ouvido me deixavam arrepiada. Nos beijávamos debaixo de chuva, os pingos correndo por nossos rostos. Você me dava caixas de bombons e eu reclamava que você não me ajudava com a dieta. Caminhávamos pela praia e olhávamos para as marcas que nossos pés faziam. Ouvíamos canções românticas e você me dizia que queria casar comigo.
Não sei quando percebi que te amava. Você me deixava louca quando largava a toalha molhada em cima dos lençóis. Dormíamos de conchinha, meu pé congelando sua perna. Me surpreendia com um buquê de gérberas e café da manhã na cama. Você chegava do trabalho e eu fazia massagem. Na quarta, você ligava a televisão e assistia futebol e eu não podia atrapalhar. Discutíamos sobre filosofias e você sempre me dizia uma teoria que eu desconhecia. O primeiro apartamento foi comprado com meu dinheiro, mas você queria dar sua opinião na decoração. Você preparava o jantar e eu colocava um jazz para tocar. As contas eram esquecidas e várias vezes cortaram a energia. Deixávamos de sair com os amigos pra ter uma noite de filme e pipoca. Você dizia que eu te sufocava.
O que será que foi, Pedro? Te perder dói.
Epílogo: Pode vir pegar o resto das suas coisas na terça.
Ass. C
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sexta-feira, 13 de julho de 2012
O folgado “corta clima”
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O nosso primeiro caso vem de Guarulhos/SP. Ricardo é um jovem muito atarefado (trabalho, faculdade, autoescola...) e não tem tempo de curtir a esposa. Quando pintou uma folga ele preparou uma noite especial para o seu amor. Ele se arrumou todo, colocou a melhor roupa e o perfume mais cheiroso. Providenciou o melhor cardápio para o jantar, depois de tudo pronto eles jantam, conversam um pouco, comem a sobremesa e vão assistir um filme. De repente, no meio do clima super quente, a campainha toca (dlin don/bizzz/lálálá... como quiserem). O clima é cortado e ele sai correndo para atender a porta. Aí, a surpresa. – Pô, cara por que a porta não estava aberta? O amigo folgado! Ricardo respira fundo e pergunta: O que você está fazendo aqui? – Que pergunta mais besta. Vim fazer companhia a vocês onde está a “Carlinha”? (esposa do Ricardo) O folgado de nome André foi direto pra cozinha e viu a mesa com o restante do jantar. – Quer dizer que vocês fazem jantar especial e nem me convidam, né? Muito obrigado pela consideração. Senta na cadeira e começa a devorar toda sobra do jantar. Enquanto isso o Ricardo observa tudo calado. Quando o André termina de comer vai direto à geladeira, abre e come o último chocolate que a Carla tinha guardado para um ataque de vontade de comer doces. Caminha até a sala e senta ao lado da esposa do amigo que está assistindo tv. – Este filme está muito chato. Pega o controle e muda de canal. Carla corre para o quarto sem aguentar. – Já vai dormir “Carlinha”? O folgado pergunta. A resposta dela é o silêncio e um bico. – Já sei deve estar cansada né? Sua cara não nega. (cara de pau) Sem ter mais o que fazer Ricardo senta ao lado do amigo folgado e assiste junto com ele.
Agora é com vocês. O que o Ricardo deve fazer para se livrar desse encosto? _
**Durante esse mês, todas as sextas eu estarei compartilhando com vocês alguns casos inusitados e engraçados baseados em fatos sobre amigos folgados. Serão três histórias em que você, leitor do nestante poderá apresentar soluções para ajudar os amigos a se livrarem desses folgados. Aguardo a sua participação e vamos rir juntos afinal, o que não pode faltar numa amizade mesmo sendo folgada é o humor.**
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Diego Sansi, dezenove anos, adventista do sétimo dia, compositor, designer, estudante de publicidade e propaganda. Um cara pensador, discreto, crítico e indireto. Apaixonado por fotografias “encontro na fotografia a forma mais simples de me expressar”. Usuário assíduo das redes sociais, possui: facebook , twitter e tumblr
** Diego é o convidado e amigo de Dani para a web-serie AMIGOS EM AÇÃO.
que acontece as sextas-feiras**
Agora é com vocês. O que o Ricardo deve fazer para se livrar desse encosto? _
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Diego Sansi, dezenove anos, adventista do sétimo dia, compositor, designer, estudante de publicidade e propaganda. Um cara pensador, discreto, crítico e indireto. Apaixonado por fotografias “encontro na fotografia a forma mais simples de me expressar”. Usuário assíduo das redes sociais, possui: facebook , twitter e tumblr
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quarta-feira, 11 de julho de 2012
Alô e Adeus
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Eu
gosto de aeroportos. Digo isto porque é algo que você provavelmente nunca
notou, nós sempre fomos breves em nossas despedidas. Algumas vezes já me peguei
sentado em uma mesa observando as pessoas entrarem e saírem dos portões, enquanto
tomo café. É um hábito que me ajuda bastante a passar o tempo, Carolina.
Já
vi empresário de maleta e notebook, figuras solitárias e cheias de pressa. Pare
eles, tempo é dinheiro, por isso mantém o celular no ouvido e o dedo no teclado
enquanto esperam a chamada para o vôo. Essas pessoas desperdiçam o tempo com o
que não é tão importante, Carolina.
Vi
também a moça nova, seus dezoito anos, com malas grandes e pais chorosos a
tiracolo. Está empolgada para morar em outra cidade: a idéia de independência
bate a porta, mas não diz quem realmente é. Por enquanto o gosto ainda é do
mais saboroso mel. Muitas vezes, pessoas esperam algo de seus sonhos, porém
descobrem uma realidade diferente, já parou para pensar nisso, Carolina?
Observo
agora a mãe de uma família de quatro crianças se dirigir ao portão de embarque.
Não consigo descobrir o que fará quando chegar ao seu destino, mas ouço a
promessa de pequenos presentes para cada um dos pimpolhos. O pai dribla um e
outro para dar um abraço na esposa. Ela finalmente entrega a passagem e entra.
As vezes penso se um dia chegaremos a formar uma família, Carolina.
As
despedidas me tomam mais tempo, mas não esqueço das chegadas. São pequenas
bolhas de alegria que estouram a cada passageiro que aparece. Abraços apertados,
choros e gritinhos chegam aos meus ouvidos. São tantas perguntas feitas que o
viajante não consegue se concentrar em apenas uma. Todos querem levar a mala,
ficam espiando a procura de algum presente. Prometo que separo para a sua volta
aquele doce de coco que você tanto gosta, pode ser Carolina?
Volto
para o carro, mas ainda consigo ver o avião levantando vôo e seguindo seu rumo,
levando um mar de preocupações, sonhos e saudades. Queria eu que ele também
levasse a saudade que sinto de ti, Carolina.
Epílogo:
Você deve estar se perguntando por que escrevi uma carta e não um e-mail. Pode
chamar de saudosismo, eu tenho gosto pela letra escrita pelo próprio punho. Não
espero que me escreva do mesmo jeito, mas faça do jeito que achar melhor.
Ass.
P.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012
Amigo em ação
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Amigo é o nome que se dá a um indivíduo que mantém um relacionamento de afeto, consideração e respeito por outra pessoa. Para denominar uma pessoa de amigo, não necessariamente os indivíduos precisam se conhecer há muito tempo, muitas amizades começam repentinamente e ganham importância por diversos motivos. Amigo é aquela pessoa que se confia acima de qualquer coisa, que está SEMPRE disposto a AJUDAR, seja em situações boas ou ruins.
Vamos deixar de lado as palavrinhas quadradas e vamos nos apegar ao conceito prático de amigo. Ser amigo é ter a cara de pau pra falar que você é ou estar feio; É dividir o último biscoito do pacote – an? – pelo contrário; Fazer você passar vergonha em público; Pedir pra você pagar a conta; Tornar você um escoro pra se encostar; Dá peteleco na orelha sabendo que você odeia isso; Levar penetras para o seu aniversário; Se apaixonar pela mesma pessoa e abrir mão do amor pela amizade. (isso é forte!); Chorar/rir junto com você; Ajudar a conquistar a pessoa que você ama; Roubar um sorriso seu quando você não está pra rir; Abrir a sua geladeira sem autorização; Aparecer nas horas inesperadas; Reclamar da comida da sua mãe... Ser amigo é tudo isso e mais um pouco, ou melhor, mais um muito em um só post não dá pra dizer tudo.
As nossas listas de amigos são quilométricas e separadas por tipos cada um no seu quadrado. Amigo inteligente, chato, fiel, moderno, palhaço, metido, guloso, mentiroso, tagarela, preguiçoso, ah e não podemos esquecer o amigo que sempre está presente nas listas, o folgado.
Durante esse mês, todas as sextas eu estarei compartilhando com vocês alguns casos inusitados e engraçados baseados em fatos sobre amigos folgados. Serão três histórias em que você, leitor do nestante poderá apresentar soluções para ajudar os amigos a se livrarem desses folgados. Aguardo a sua participação e vamos rir juntos afinal, o que não pode faltar numa amizade mesmo sendo folgada é o humor.
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Meio
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Stefano Manzolli,
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vitória dobra as folhas e joga-as longe. não, não pode ler mais do que
já leu. nem ao menos chorar mais por um amor que não é o seu. os olhos inundam
as bochechas de lágrimas. ela sofre sinceramente por um amor que não é seu. e
sofre, principalmente, por não ser seu, mais do que por ser um amor. fere saber
que os românticos não foram extintos e, mesmo assim, não lhe aparecem no
caminho. não lhe mandam uma carta dizendo para esperar a eternidade e nem selar
com um beijo cheio de saudade do cheiro de fruta que tem em seu corpo. ela não
tem cheiro de fruta, é verdade. mas também não tem ninguém que lhe cheire a
nuca e diga que gosta. não tem. simplesmente espera cartas que não chegariam
nunca, porque não encontrou quem as mandasse. ou encontrou e, quando menos esperava,
foi embora. ela não sabe cultivar um amor. não sabe regar, não sabe dar tempo e
espaço para criar raízes. então, chorando as lágrimas que não eram para ser
suas, percebe que sua fé na vida é vontade de encontrar alguém para amar - um
amor que sabota sempre e continuamente, reabastecendo a fé com a desilusão.
rasga o envelope de olhos fechados. não quer saber o
nome, não pode ter certeza de que a carta não é para ela. a carta poderia ser
de tereza e quem lhe escreveu fo o homem da fotografia antiga. se não tivesse
rasgado, saberia em qual mesa deveria ter ido parar a correspondência, mas que
acidentalmente tornou-se a sua. deu sorte que, desde o cabeçalho, os nomes
foram trocados por apelidos carinhosos no diminutivo. sente-se amorzinho,
queridinha, maçãzinha. faz-se vocativo. apronta o quarto interno do coração
para o sentimento novo que chegou. afofa a cama, ajeita o tapete. e espera.
troca a roupa, limpa a maquiagem, suspira altiva. e espera - de novo. não se
cansa e não perde a força.
marcos pinta freneticamente. não quer perder nem
sequer um detalhe da imagem que guarda na memória. o vermelho vivo parece
esfumaçado - quando visto nas pálpebras. mais escuro, parece sangue. parece
vivo e, por isso mesmo, real. tem vontade de beber. e já não sabe mais se a
vontade é de abocanhar como uma fruta ou sorver como um licor. não sabe. será
que embriaga? pensa. delira. gira no quarto com a palheta na mão e a mistura
entre as matrizes. cria cores que não será capaz de reproduzir. e por quê?
porque esse é um quadro único. é sua obra-prima. sua avó choraria vendo-o. seu
pai se orgulharia. é tão intenso que parece ser dotado de forças vitais. não
faz rascunho. não precisa. tem vontade de pintar as paredes, o chão, o céu.
tingir as folhas das árvores de vermelho! o mundo vermelho, uma grande e
suculenta maçã. viveria como um desses bichos que comem o fruto inteirinho por
dentro e deixam a polpa podre. a cor viva - mesmo assim. viveria imerso,
afogado no suco agridoce da maçã. alguém que acredita no amor, diria que ele
sofre de paixão. assim, devastadora, à primeira vista. paixão: com todas as
letras e no aumentativo preciso do tamanho desacerbado de seu sentimento. e a
cor? escarlate. vermelho. rouge. sempre. sente vontade de abrir a porta,
atravessar a rua correndo, bater à porta do outro lado e implorar.
abrir o coração sempre cheio de amarguras e
cicatrizes. e deixar plantar algo de lindo e novo. mas não abre a porta. não
gira a chave. não corre pela rua. não se move. estanca a pincelada. o quadro
vai virar artigo de luxo na próxima feira. seu pai não vem ver. sua avó não vem
ver. algum dia, alguém numa sala bem decorada, vai olhar para o quadro e
perguntar sobre o pintor. mas a dona não saberá nada a respeito. comprou na
feira, assim: a preço de nada. quase de graça. um quadro expressivo, assim com
pinceladas tão fortes e grossas de vermelho. tons tão diferentes. e esse mesmo
alguém, inspirado pela arte, vai compor um série imensa de quadros chamada fogo
e vai vender na europa. mas marcos nunca saberá, porque não sai de casa. não
sai do quarto. não enfrenta a vida. viveria um grande amor, mas acaba em uma
pintura fria.
mas isso é só o meio da história, tudo é sempre um
meio. temos fins e começos, mas que se trançam em tantas outras histórias - que
já existem no mundo e estão pela metade - que acabam se tornando meios.
caminhos. fios de uma única manta, rezas de um único mantra. e, então, quando
achamos que encerra-se um ciclo, um outro se inicia. não vivemos em círculos,
mas em espirais. dando voltas e voltas - vez ou outra temos breves pausas para
não enjoar. mas gira-se. move-se sempre. como se a vida fosse um trilho e nós,
sentados no carrinho de montanha-russa, aproveitássemos o passeio cheio dos
seus loopings. existem sempre infinitas histórias que poderiam vir-a-ser, mas
que não são, porque um pouco antes de acontecerem, alguém desvia de caminho,
alguém evita, troca, estende. e toda mudança gera novas possibilidades, altera
os fatores das probabilidades todas. não há laço que não amarre outro fio. sempre
assim, o tempo inteiro.
e tereza, que já perdeu um amor, contempla de sua
janela outro ser desfeito - antes mesmo de começar - e sorri desconsolada por
causa disso. sente o peito apertar. por quê? não sabe. mas sente, aprendeu a
ser sensível desde pequena, quando o pai foi embora e nunca mais voltou.
aprendeu a buscar amor em outros braços. aprendeu a por a mesa e fingir que, na
verdade, é só uma vontade de deixar tudo arrumado. faz chá de maçã, por causa
da árvore que tinha no quintal. aprendeu doendo a ser sensível à beleza. e ter
paz. sempre que reflete sobre a própria vida, gosta da epifania que tem quando
percebe que é de paz a essência que lhe infla. faz silêncio. a mão sobre o
braço desnudo está meio fria por causa do vento que sopra fino, parece cócegas.
antes de virar-se para pegar uma blusa, ora por alguém que nem imagina o nome.
só ora. e observa. e espera - por um fim que seja começo e meio ao mesmo tempo.
o sol poente tem cor de maçã.
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Stefano Manzolli, dezenove anos, adventista do sétimo dia, escritor de blog, desenhista de moleskine, estudante de letras. um grande aprendiz da vida que não domina muito bem a arte, mas que tenta melhorar com o tempo. aprendeu a ser grato a Deus e não sabe mais viver sem redes sociais: tem tumblr, web-book, twitter e facebook . gosta de conhecer e experimentar o mundo através dos outros e das coisas que escreve.
**Manzolli é o convidado e amigo de Dani para a web-serie CONTO 4 CONTO.
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